Já ouviu falar em ataxia? O significado literal desse termo significa desordem ou confusão. Ocorre uma incoordenação dos movimentos.
A forma mais conhecida, a ataxia cerebelar, representa uma síndrome composta de inúmeros sinais e sintomas caracterizados pela presença de ataxia de marcha, dismetria, disdiadococinesia, decomposição dos movimentos, disartria (fala escandida), hipotonia, presença de reflexos pendulares, anormalidades dos movimentos oculares (nistagmo, distúrbios dos movimentos sacádicos e de perseguição), tremores cinético e intencional e disfunção cognitiva.
As ataxias cerebelares podem ser classificadas em primárias, incluindo formas hereditárias, idiopáticas, ataxias adquiridas ou secundárias, e ataxias esporádicas.
Nas formas primárias, encontram-se as ataxias hereditárias, incluindo algumas formas congênitas, e as ataxias cerebelares autossômicas recessivas, ataxias autossômicas dominantes, atualmente designadas como ataxias espinocerebelares, ataxias cerebelares ligadas ao X e ataxias mitocondriais.
As ataxias esporádicas ou adquiridas resultam de eventos que, ao longo da vida, destroem total ou parcialmente as vias cerebelares. Muitos pacientes com as chamadas ataxias esporádicas ou adquiridas apresentam a doença como resultado da exposição a agentes neurotóxicos (como o álcool), secundárias a acidente vascular cerebral, tumores cerebrais, doenças desmielinizantes e autoimunes, infecções do sistema nervoso central, deposição de ferro nas leptomeninges e doenças degenerativas como a atrofia de múltiplos sistemas. Muitas podem apresentar evolução aguda ou subaguda e podem ser diagnosticadas por meio de uma anamnese adequada e exames de imagem.